Transformação Digital

Chief Digital Officer: qual o papel dentro da organização?

Sabe qual o papel do Chief Digital Officer dentro das organizações

Face à revolução digital que tem vindo a impactar todas as organizações, a função de Chief Digital Officer (CDO) está a tornar-se cada vez mais importante, devendo servir para definir um rumo para a transição para a era do digital. Para isso, estas pessoas devem contar com os CIO’s e com os gestores de topo das organizações. Mas afinal, qual é o papel destas pessoas nas organizações?

Sim, esta é uma posição nova no mundo dos negócios, contudo, está já bem estabelecida, por exemplo, em grande parte (40%) das empresas cotadas na Bolsa de Paris. Porquê? Porque o seu papel é ajudar as empresas na transformação digital, uma revolução que muitas decidiram aproveitar para mudar os seus negócios.

Todos os setores da economia devem embarcar nesta revolução, sob pena de serem superados por ‘pure players’ do digital, como a Amazon, a PayPal ou a Uber.

Mas qual é afinal o posicionamento reservado para o Chief Digital Officer?

A constatação da importância que estas pessoas podem ter no negócio das empresas está a levar muitas organizações a colocar esta função ao mesmo nível de um CEO no seu organigrama. Em muitos casos, estas são até pessoas que estão a ser integradas nos Comités Executivos das organizações, o que demonstra a urgência na transformação digital.

Os CDO encarnam a necessidade de transformação digital de muitas organizações e estão a acelerar e a catalisar essa revolução, nomeadamente ajudando os CEO’s das organizações a integrar essa dimensão digital em todas as partes do negócio. Importa também perceber que na grande maioria dos casos, essa transformação digital só arranca quando esta função é criada no seio das organizações, despoletando projetos-piloto e parcerias com startups.

No que diz respeito a tarefas, é importante referir que estas pessoas são as responsáveis por fazer um levantamento inicial do estado das organizações, procedendo depois a uma ‘racionalização’ e organização da transformação digital a levar a cabo com base nessas análises.

Para conseguir tudo isto, o CDO deve garantir que a nova ‘cultura digital’ é adotada por todos os membros da empresa, razão pela qual a difusão da cultura digital é habitualmente o primeiro projeto. Nestes casos, a proximidade de um CDO ao Diretor de Recursos Humanos poderá ser uma mais-valia, já que esta ‘aculturação’ implica, necessariamente, ações de formação.

A partir daí, será essencial definir as prioridades no que diz respeito às áreas de negócio que devem ser ‘digitalizadas’. Áreas como Inovação, Marketing e E-commerce, por exemplo, devem ser alvo de intervenções em primeiro lugar.

Mas atenção! Se vai ‘saltar de cabeça’ para o digital, não se pode esquecer de que o volume de dados produzidos vai aumentar exponencialmente, daí as respostas às dimensões de industrialização de gestão de dados, valor económico e dimensão jurídica que os suporta. Qual o objetivo disto? Colocar um ponto final nos silos de dados e nas divisões departamentais no negócio, já que este trabalho deve ser feito em cooperação com as diferentes direções da empresa.

Que colaboradores devem estar na alçada do CDO?

A maioria dos CDO’s não tem à sua responsabilidade nenhuma unidade de negócio. Estas são pessoas que trabalham, sobretudo, com uma equipa de especialistas da área digital. Isto quer dizer que estas pessoas se apoiam muitas vezes em recursos de outros departamentos (RH, gestores de unidades de negócio, CIO’s).

Que formação têm estas pessoas?

Se consultar o CV da grande maioria das pessoas que hoje em dia se afirmam Chief Digital Officers irá ver que o background de muitas delas é o Marketing Digital ou o E-commerce, o que não é de admirar, já que estas foram as primeiras áreas a ser transformadas pela Internet. Em última análise, se um CIO se torna CDO é muitas vezes apenas uma mudança de designação, já que à partida manterá as suas funções. O que poderá acontecer é que o CIO nomeará um diretor técnico para se encarregar dos sistemas de informação.

Apesar de tudo isto, um CDO tem que ter muita experiência para levar a cabo a sua missão, o que explica por que razão os perfis seniores são privilegiados para estas posições: jurídico e compliance, gestão de riscos, a compreensão dos dados como ativos e conhecimento das técnicas e ferramentas de gestão de dados são todas competências importantes para um bom CDO.

Uma profissão com os dias contados?

Provavelmente estar-se-á a perguntar se esta não será uma função que tenderá a desaparecer ao longo do tempo, quando esta transição para o digital estiver concluída. Essa é, na verdade, uma questão que muitas pessoas têm feito e grande parte dos CDO acreditam que, de facto, a sua função deverá desaparecer.

“Uma vez que este processo esteja terminado, ou em marcha, o seu [CDO] papel não será necessário, porque todas as direções já serão ‘digital’. Então, pense digital ‘primeiro’ para estruturar e definir as suas atividades”, defende Frédéric Charles, num artigo sobre o papel dos CDO. Lubomira Rocher, CDO na L’Oréal, reforça esta ideia e defende que “hoje, o digital deve ser uma figura de proa, porque existem desafios reais nos negócios para acelerar. Mas em cinco anos, se eu fizer i meu trabalho, esta função irá desaparecer, porque tem perfil para ser integrado com a área comercial: o sucesso está aí”.