Porto RH Meeting 2018

“Temos o sentimento de estar a contribuir para o desenvolvimento da comunidade”

“Temos o sentimento de estar a contribuir para o desenvolvimento da comunidade”

Joana Guerra, HR Manager das Fábricas de Portugal da Nestlé, gere um programa de capacitação que coloca jovens de escolas profissionais dentro do ‘ecossistema Nestlé’. O desafio é grande, mas segundo a responsável, o projeto tem contribuído para o desenvolvimento da comunidade e destes jovens. Uma história para ouvir no próximo Porto RH Meeting.

Em que consiste o projeto da escola de formação profissional das Fábricas da Nestlé Portugal?

Este projeto consiste na capacitação de técnicos de metalurgia e metalomecânica no ambiente de Fábrica desde o início da sua formação. Acreditamos que formamos alunos mais bem preparados para integrar o mercado de trabalho se souberem desde logo quais as competências necessárias para se integrarem numa empresa – cultura, atitude, proatividade, capacidade de trabalho em equipa, conhecimento técnico específico.

Como são escolhidos os jovens que participam neste programa e qual o seu perfil?

Os jovens são selecionados pela Escola Profissional de Aveiro, que conhecendo o perfil dos seus parceiros (neste caso a Nestlé) aloca os estudantes que se inscrevam no curso à empresa onde considera que estes melhor se irão integrar, e também de acordo com a área de residência dos jovens.

Depois deste período ‘formativo’ os jovens podem integrar as fábricas da Nestlé como colaboradores?

Até à data os resultados são muito positivos. A integração dos jovens na cultura da empresa está totalmente concluída e temos o sentimento de estar a contribuir para o desenvolvimento da comunidade em que estamos inseridos. Os jovens terão posteriormente oportunidade de integrar o quadro de colaboradores da empresa se demonstrarem a atitude e conhecimento técnico corretos para serem convidados a integrar. A contratação não é garantida, será sempre resultado do mérito dos estudantes. Naturalmente que o nosso desejo é que os alunos venham a integrar os nossos quadros.

De que forma é que estes jovens têm sido recebidos pelos colaboradores da Nestlé?

Com muito interesse e curiosidade. Os trabalhadores da Nestlé estão habituados a um ambiente dinâmico, desafiante e em mudança, pelo que aceitam a mudança demonstrando até um sentimento curioso de proteção quase paternal com os alunos.

Quais os maiores desafios de integrar estes jovens, que muitas vezes são provenientes de meios desestruturados, na Cultura da Nestlé?

É integrá-los na nossa Cultura, nas nossas regras internas e fazê-los entender que exigimos respeito, mas que também respeitamos. Grande parte do trabalho que foi feito no primeiro ano foi no sentido de os integrar na nossa Cultura e nos nossos valores.

No segundo ano nota-se já uma postura totalmente diferente por parte dos alunos, que inclusivamente nos comentaram que estavam desejosos que as férias terminassem para voltarem para a fábrica. Eles sentem-se integrados nas equipas em que estão alocados, sentem que fazem parte e criam aqui laços importantes com os nossos trabalhadores.

Como se motivam pessoas que, muito frequentemente, vêm de meios onde não existem muitas perspetivas de futuro e em que os exemplos familiares nem sempre são de sucesso?

Dando-lhes estrutura, regras e condições de as cumprir. Mostrando-lhes que fazemos tudo ao nosso alcance para que o dia a dia deles na fábrica seja o melhor possível, e desafiando-os a crescer, enquanto os fazemos sentir bem-vindos e integrados, mas ao mesmo tempo exigindo-lhes o cumprimento de todas as regras internas. Naturalmente que é muito importante explicar-lhes porque as temos, e nunca deixamos de o fazer. Damos-lhes também liberdade para analisar e questionar as nossas práticas e levamos a sério as opiniões e sugestões deles. Celebramos todos juntos os seus sucessos e reconhecemos o seu progresso.

E como se combate o estigma muitas vezes associado aos alunos de escolas profissionais?

O estigma mais complicado é aquele que existe junto dos próprios alunos e que os faz sentir que são menos capazes e necessários do que os alunos do ensino normal. Este estigma combate-se mostrando-lhes no terreno da fábrica a importância e utilidade que estas profissões têm para nós.