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A ‘Cultura Netflix’ que está a desafiar tudo o que já aprendemos sobre gestão de pessoas

“Radicalmente transparente”. É assim que o The Wall Street Journal [1] define a cultura organizacional da Netflix, contando que dentro da empresa os colaboradores são encorajados a dar feedback brutalmente honesto aos seus colegas de trabalho tanto online como cara a cara.

O jornal conta que a Netflix usa um software chamado ‘360’ que permite aos seus 5400 colaboradores, inclusive ao CEO Reed Hastings, dar feedback sempre que quiserem, partilhando-o com as suas equipas. Um dos hábitos que está a gerar mais controvérsia, é que dentro da Netflix as equipas são incentivadas a juntarem-se em almoços e jantares para darem feedback uns aos outros. Nestas ‘sessões’, cada um é encorajado a ser o mais honesto possível e a dizer aos seus colegas que competências acham que cada um tem falta.

Um dos exemplos mais extremos desta cultura é algo que a Netflix chama ‘keeper test’. Os gestores e líderes de equipas são desafiados a pensar: ‘se um dos membros da minha equipa estivesse a pensar sair para outra empresa, faria alguma coisa para o impedir?’ Aqueles que não passarem neste ‘teste’, são ‘convidados’ a deixar a empresa.

Mas a cultura de feedback honesto da Netflix [2] vai ainda mais longe. Uma das práticas descritas pelos colaboradores da companhia é a realização de um ‘post mortem’ para cada um dos colaboradores que é dispensado. Com esse colaborador presente. A equipa reúne e debate todas as razões pelas quais aquela pessoa foi despedida.

Em resposta a este ‘retrato’ do The Wall Street Journal que, note-se, ouviu dezenas de colaboradores da Netflix, um porta-voz oficial da companhia disse à Business Insider que “acreditamos em manter uma cultura de elevada performance e em dar a liberdade para as pessoas fazerem o seu melhor trabalho. Menos controlo e mais responsabilidade permite aos nossos colaboradores serem bem-sucedidos e tomarem decisões mais inteligentes e mais criativas. Apesar de acreditarmos que algumas partes deste artigo não refletem a experiência da maioria dos nossos colaboradores, estamos constantemente a trabalhar para aprender e melhorar”.

A Netflix tem sido, ainda assim, considerada uma das melhores empresas para trabalhar nos últimos anos. A empresa continua também a ser vista como um exemplo de inovação [3] e é considerada pioneira em algumas práticas de gestão de recursos humano.

Resta saber se uma cultura assente em feedback brutalmente honesto pode mesmo promover a aprendizagem e a melhoria de performance. A Harvard Business Review publica este mês um artigo [The Feedback Fallacy] [4] em que se debruça sobre o tema e que vai contra a ‘abordagem Netflix’. De acordo com a revista, “focarmo-nos nas imperfeições e falhas das pessoas não promove a aprendizagem. Prejudica-a”. Dá que pensar, não?