Cultura

Quer inovar? Olhe para fora do seu ecossistema

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A IBM, nos Estados Unidos da América, viu serem-lhe reconhecidas cerca de 22 patentes por dia em 2016, tendo-se tornado na primeira empresa a conseguir mais de 8000 patentes num único ano. Como é que se conseguem estes níveis de inovação? Aparentemente, o segredo está em olhar para fora e em transmitir o que se aprende para dentro!

Um estudo realizado por um investigador do Imperial College London, dentro da IBM, descobriu que o segredo para a inovação da multinacional está na autonomia que é dada aos seus especialistas para estudarem ideias novas, interagirem com quem quiserem e para gastarem o tempo que for necessário…a pensar. Uma das descobertas mais importantes desta investigação prende-se com o facto dos ‘IBMers’, como são chamados os colaboradores da empresa, irem muito além dos seus clientes quando a meta é gerar inovação para a companhia.

É que como diria Bill Joy, co-fundador da Sun Microsystems e um dos mais importantes empreendedores das últimas décadas, “nem todas as pessoas inteligentes trabalham para si”. Esta é, aliás, a principal razão pela qual grandes multinacionais como a Procter and Gamble, a Henkel ou a Lego recorrem a elementos externos ao seu ecossistema para desenvolver novos produtos e gerar inovação.

A ciência já provou que é também desta forma que nascem as melhores ideias: expor os seus colaboradores a vários parceiros externos pode impulsionar maior inovação. Mas então, porque é que nem todas as empresas incentivam as suas equipas a procurar fora dos seus ecossistemas? Um artigo recentemente publicado na Harvard Business Review explica que por detrás da hesitação está o facto de muitas organizações recearem que a procura por inovação possa distrair a sua equipa daquilo que é preciso fazer dentro da empresa.

Porém, não basta cultivar relações fora da empresa para ser mais inovador. O estudo realizado dentro da IBM revela que aqueles que recorriam a fontes externas para desenvolverem inovação só eram mais inovadores do que os que recorrem ao interior da companhia quando dedicavam tempo suficiente a essas fontes. Para além disso, o estudo é muito claro num outro aspeto: quando se constrói uma grande rede de parceiros externos para desenvolver inovação, mas não se sabe utilizar a informação, os custos de estar distante da organização para a qual se trabalha podem ultrapassar os benefícios.

Passar tempo suficiente a olhar para dentro do ecossistema, e a falar com outros membros da organização, pode ser igualmente importante para compreender as necessidades de inovação da organização e, sobretudo, para saber como desenvolver e executar novas ideias.

Segundo a Harvard Business Review, é também importante que todas as organizações saibam que “nem todos os colaboradores precisam de cultivar uma rede externa para inovar. Todas as empresas precisam de um conjunto de pessoas com skills de networking e de pessoas que entendem o funcionamento interno (…) Os gestores devem promover o networking externo e interno como fontes de aprendizagem.”

Para além disso, é importante que garanta que aqueles que dedicam grande parte do seu tempo a cultivar relações externas para inovar têm também tempo para aplicar aquilo que aprendem e para difundir esse conhecimento internamente. Só assim é possível construir uma organização verdadeiramente inovadora.